Pensei eu que os meus
sentimentos tivessem mudado, mas não dá para esquecer. E tu sabes muito bem
disso. Não dá para ignorar este vazio que tu deixaste. É impossível seguir em
frente, mesmo com este silêncio ensurdecedor entre nós e com esta clareza de que
o nosso fim chegou. Eu sinto muita a tua falta, de quando éramos um “nós”. Sei
que é tarde para te informar que o meu orgulho impediu-me de correr atrás de
ti, de lutar, que o teu amor-próprio dominou-te, mas eu tenho saudades. Do que
nós éramos. Do que nós deixamos para trás. Do que nós tínhamos. Independente da
quantidade de tempos que tenha passado. Em qualquer lugar eu
vejo-te, em qualquer canto eu encontro-te, sinto o teu cheiro, ouço
a tua voz, ainda está tudo tão presente. Mesmo estandes a quilómetros de distância
de mim. Uma grande parte de mim está presa a ti, amarrada, acorrentada. E,
simplesmente, não consigo desprender-me de ti. Todos os rapazes do mundo levam
um pouco de ti, ou então sou eu a tentar encontrar-te em outros olhares, outros
gostos, gestos, sorrisos, toques.. nem eu sei. Sinceramente, não sei. A única
coisa que eu tenho a certeza, é que tudo isto está a ser horrível. Tu sabes,
esta coisa de ficar sem ti. Ter de continuar a andar quando a minha vontade é
de parar e esperar-te voltar. Eu sei que errei, que te magoei, que as minhas
linhas tortas confundiram-te por inteiro. Mas nunca pensei que a decisão de
partir viria de ti. Mesmo com as nossas discussões semanais, com a
infantilidade de ambas as partes, com o orgulho, mesmo assim… Eu juro que pensei
que iríamos ser para sempre…. Que os meus defeitos se completavam em ti e que
as tuas crises de ciúmes terminavam quando estávamos juntos. Eu tinha plena
convicção de que, não importa o que acontecesse contigo, ficarias sempre do meu
lado. Mas sabes? Isto tudo é estúpido demais. Errado demais. Estás aí, perto o
suficiente de mim para começarmos uma conversa, mas ainda assim, preferes o
silêncio. E eu não te vou contrariar. As coisas nunca foram fáceis, e nós
sempre as complicamos ainda mais. Não é para menos que nos tornamos neste nada.
Neste ponto de reticências infinito e cansativo. Já era. Não dá mais, nem para
mim, nem para ti. E mesmo que esteja a ser difícil, nós não vamos abrir a mão.
Eu conheço-te, e acima de tudo, conheço-me. E sei que o orgulho fala mais alto
em ambos. Os teus dias podem estar a ser insuportáveis sem a minha mania de
mudar a tua rotina, mas sei que não me vais ligar. Partiste… encontraste
outra(s), alguém que te faça feliz, mas garanto-te que não te vai fazer tão
feliz quanto aquilo que sonhei para ti, apenas não deu tempo, não concretizei..
talvez elas nem te façam esquecer de mim, mas sei que tu não vais correr mais
atrás de mim. Aparentas ser o rapaz mais feliz do mundo. Mas, apesar de
tudo, nós amamo-nos no passado. E acredito que ainda nos amemos. Tu um dia ainda
vais perceber ao que me refiro…
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